Sessão I

Hoje foi um dia negro para Scornubel.
O dia estava a decorrer como era perfeitamente normal, Maevis havia como de costume passado pelo templo com mantimentos para os construtores, e embora lhe agradeça o gesto, desnecessariamente insistia que eu tivesse à vontade de ter a minha parte mais rapidamente, tive de recusar amavelmente o favor, como seria de esperar. Ele parece-me um homem com potencial de se tornar num bom exemplo, mas parece-me que tem uma enorme barreira, no que toca a quem cai nas suas boas graças, é algo que eu tenho fé em que com o tempo ele mude. Naquele momento não pude-lhe ajudar em nada, algo havia surgido na minha espada que cativou toda a minha atenção, tratava-se de uma estranha Runa, da qual mencionei de seguida ao honrado Mestre Eberk, mas receio que esta questão ultrapassava os seus conhecimentos e, embora não pudesse-me assistir naquele momento, prometeu com o tempo talvez podesse reunir informação sobre a estranha runa.

Pouco tempo mais tarde, foi como se um dos nove infernos abatesse sobre Scornubel. Um dirigível que se encontrava em pleno voo, caíra na cidade junto ao fosso. Naqueles segundos que se sucediam como minutos, toda a ajuda parecia pouca para acudir os gritos e agitação que se seguiam ao desastre. Para meu grande desânimo, a minha chegada foi bastante depois do
acontecimento. Mesmo assim Eu e o Clérigo Eberk apressamo-nos de seguida para dar auxílio. A milícia estava a ajudar a apagar os fogos e parecia que tinham falta de homens para ajudar os sobreviventes. Espontaneamente tentei servir de ajuda para tais pessoas, durante a minha correria deparei-me com um cenário pavoroso. Parecia uma Elfa morta nos braços de um familiar, a cena em si derrotou completamente a valentia que segurava meu coração. Não tinha ideia de como ajudar a pobre elfa falecida em tal horrífica tragédia, nem como poderia dar uma palavra ou mão ao seu desesperado companheiro…A cobardia naquele momento fez-me procurar outros passageiros sobreviventes, algo que terei dificuldade em perdoar-me por deixar o meu medo tomar a decisão por mim. O dia acabara com muitas baixas, um vazio abundante em vários corações e uma cicatriz no centro da cidade de Scornubel que iria demorar tempo a reparar…

(Ultima entrada no Diário após um ano da ultima entrada lida)
Estava acompanhar o Mestre Eberk pela cidade durante a tarde, quando subitamente fomos aproximados por Maevis, que se encontrava perto do fosso. Maevis pediu a Mestre Eberk por uma oportunidade para poder falar comigo a sós. Maevis parecia aborrecido com algo, e nada custou para ele partilhar comigo a situação que lhe parecia causar tanto transtorno. Segundo aquilo que ele contava, o seu Patrão havia deixado uma Drow ajudar nas plantações (embora Maevis não estava nada convencido que bons resultados iriam surgir de tal acção), e após isso, o seu Patrão havia insistido para que ele acompanha-se a mesma Drow numa viagem em busca de uma Jóia, aparentemente na posse de Goblins. Ele estava muito inseguro no que tocava viajar sozinho com uma Drow e, embora Maevis seja infelizmente um tanto fechado a raças, eu no
fundo seria capaz de sentir o mesmo nesta situação, afinal os Drows não são conhecidos por nada que passasse por benéfico. No fim da nossa conversa um grupo de três pessoas aproximava-se, Uma Drow com um aspecto cativante, um Drow do qual não poderei dizer o mesmo, embora no fundo o aspecto dele derivasse entre o bastante honesto ate o bastante do contrario, por ultimo
outro Drow que naquela altura havia passado por humano comerciante, este parecia ser o chefe do Drow pouco confiante do grupo. Decidi oferecer ao grupo uma vénia como saudação, afinal por mais baixo nível que tenha um grupo opositor, nunca se deve perder classe nem a cara, tal coisa seria descer ao seu nível.
A minha saudação pareceu apanhar a Drow de surpresa, embora ela não o tenha comentado. Apresentou-se com o nome de Sionna, porém não teve a gentileza de apresentar os seus dois companheiros, e os dois desgraça por desgraça deixaram os seus nomes no oculto. Maevis por sua vez teve a cortesia de me apresentar ao grupo, embora ele estivesse ainda mais incerto sobre a viagem com eles, do que quando falava comigo. A natureza do grupo forçou-me a fazer
perguntas sobre as razoes desta cruzada em torno da misteriosa jóia. A ideia de combater goblins e recuperar um objecto roubado soava-me como uma chamada que eu aguardava já há muito, mas o grupo em questão não me inspirava confiança, e o mistério da Pedra também não deixava a demanda muito válida. O que me tinha sido apresentado mesmo com Meavis a pedir por companhia não era de maneira nenhuma o suficiente para eu abandonar os meus serviços ao templo de Moradin. Para evitar alguma indecência provinda de uma resposta negativa imediata, disse que teria de falar com Eberk sobre isto. Eberk quando voltou, por respeito a minha pessoa deixou a decisão inteiramente nas minhas mãos, algo que não era o que eu desejava, mas soube respeitar. No meio da situação Eberk partilha comigo uma péssima noticia sobre o futuro do
templo. Um precioso símbolo de Moradin estava desaparecido devido a um ataque à caravana que o transportava, eram notícias de um batedor da cidade mais próxima. Sionna estando presente na nossa conversa ofereceu-se para ajudar a recuperar o símbolo perdido, o que pareceu estranho em relação ao que eu poderia esperar dela. Declarei que seria apenas justo que após recuperarmos o símbolo que tivesse os meus serviços como escolta na sua busca pela sua jóia, se a missão prova-se ser honesta ate a sua conclusão. Eberk pediu para todos se reunirem junto do templo de Moradin para iniciar equipas de busca, prometendo tentar oferecer poucos mantimentos que se encontrassem disponíveis para a viagem. Entretanto o comerciante do grupo, no meio de uma tremenda discussão sobre o meio de transporte que seria utilizado, tomou iniciativa em pagar por inteiro de seu bolso por um Ptauro alugado e por um condutor. Meavis decidiu reunir os poucos mantimentos que tinha disponíveis para a viagem a qual inevitavelmente se tinha de juntar, assim abandonando o grupo ate o fim do dia. Com isto, junta-se ao que resta do grupo um wild elf pelo nome de Lithlandis, aparentemente interessado em se juntar as duas missões pela necessidade de pagar um favor devido a Siona,
algo que o descreveu como um elfo honroso meus olhos. Lithlandis deixou claro que iria tentar com que o seu mestre oferecesse algumas armas para esta aventura.
No caso de Lithlandis querer conversar mais com Siona, uma vez que se tinham dado como velhos conhecidos, achei a minha presença talvez um pouco desnecessária. Assim despedi-me educadamente e caminhei para o mercado, com intenção comprar os mantimentos necessários para a primeira jornada. Ao anoitecer, como estava planeado, todos estavam presentes no ponto de encontro. Dalalel mais o seu subordinado chegaram montados num Ptauro controlado por um Halfling segurando uma caneca, este com aspecto de quem bebeu como não houvesse o dia de amanha. Maevis já antecipadamente presente, mostrou o seu descontentamento por não ter sido o condutor do Ptauro, tentando controlar o animal melhor que o seu pequeno e lastimoso condutor original…Siona e Lithlandis estavam igualmente presentes, com um pequeno vagão de armas disponíveis para todos aqueles que participassem nas buscas. Com isto Eberk apresentou-nos um enorme ser angelical, chamado Mannaos. Ele declarou que iria ser o nosso líder e guia nesta viagem. Quando Mannaos falou em todos surgiu um respeitoso silêncio, excepto a certa altura da parte de Maevis. Mannaos não levou a bem as suas decisões estarem a ser questionadas e exigiu que a todos os participantes que seguissem rigorosamente as suas ordens. Lithlandis tentou de uma maneira um tanto forçada, de fazer com que Meavis começa-se a agir de maneira diferente, o que não pareceu resultar muito, sendo que Sionna teve de impedir os dois de trocarem mais palavras naquele momento. Assim, sem mais contratempos, cobertos pelo misterioso véu da noite, iniciamos as últimas preparações para a nossa viagem…

No comments: